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24 abril 2011

Abrindo o caderno de poesias

Nome: Maria.
Do que?
De nada, sem das Dores, sem de Lourdes, sem da Glória, sem de Luz, sem das Graças.
Não sou nem Aparecida nem Teresa nem Antônia, só Maria.
Idade? Quinze, mas tenho vinte ou doze, dependendo da situação e das conveniências.

Quero ser poeta, cantora, e ganhar a vida com meu canto e o violão. Se não der, vou cuidar de criancinhas ou de velhos desamparados.

Meus ídolos já mostraram esta vocação para o sacerdócio, para o suicídio: Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá, Lennon, Ghandi, São Francisco de Assis, Chico Mendes e, sobretudo, Dom Quixote.

Minha mãe me ensinou a gostar dos Beatles, meu pai, de Caetano, Chico, Milton e Gil, minha geração, de música barulhenta pagode e axé.

Por minha conta e rsicos, descobri meus eternos poetas: Drumond, Bandeira, Quintana, Cecília e Pessoa.
Escrevi poemas ou besteiras?
Escrevi coisa séria ou apenas fiz catarse?
Se alguém ler e sonhar e voar junto, será a glória, a festa, o prêmio.
Então, vamos lá?...nada nos impede de sonhar...

(Fragmentado e adaptado do livro Cantigas de Adolescer de Elias José Ed. Atual.)