25 janeiro 2011

Nem tudo se pode ver, ouvir ou dizer

Para viver, nem tudo nós podemos ver, escutar ou dizer. Isso é representado, desde a Antiguidade, pelos três macacos da sabedoria. Cada um cobre uma parte diferente do rosto com as mãos. O primeiro cobre os olhos, o segundo as orelhas e o terceiro a boca. A representação é originária da China. Foi introduzida no Japão, no século VIII, por um monge budista. A máxima que ela implica é "não ver, não ouvir e não dizer nada de mau". Foi adotado por Gandhi, que levava sempre consigo os três macaquinhos, o cego, o surdo e o mudo - Mizaru, Kikazaru, e Iwazaru.
Eles ensinam a não enxergar tudo o que vemos, não escutar tudo o que ouvimos e não dizer tudo que sabemos. Noutras palavras, ensinam a selecionar e a conter-se. Isso é decisivo para uma atitude construtiva, mas não é fácil. Somos impelidos a focalizar o que nos prejudica - impelidos por um gozo masoquista ao qual temos de nos opor continuamente. Só a consciência disso permite não sair do caminho em que a vida desabrocha.
Seleção e contenção tornam a existência mais fácil. Desde que não sejam um efeito da repressão, como na educação tradicional, e sim do desejo do sujeito - um desejo vital de se opor às forças do inconsciente que podem nos fazer mal. Isso implica a humanidade de aceitar que o inconsciente existe e nós somos donos de nós mesmos.

A ideia não é nova. Data da descoberta da psicanálise por Freud, no fim do século XIX, mas continua a ser ignorada porque é difícil nos livrarmos do ego. Sobretudo numa sociedade como a nossa, que tanto o valoriza, e que não condena a vaidade, a prepotência e a arrogância. Pelo contrário, estimula-as para se perpetuar, egos inflados estão em toda parte e a luta contra eles não nos leva a nada. Evitar a luta de prestígio é um bem que nós fazemos a nós e aos outros e lembrar sempre que não precisamos dar ouvidos ao que não interessa temos o dom de escutar os sons mais sutis e saber ouvir o silêncio é um privilégio.

Fonte: Betty Milan/veja.com.br
Imagem: google

6 comentários:

Jackie Freitas disse...

Olá Josy querida!
Menina, esse texto é maravilhoso e acho que todos precisamos refletir com ele. Na verdade, em se tratando de egos, vivemos no próprio inferno, onde as manifestações de egoísmo e das "escaladas" ao podium nos coloca diante de tudo aquilo que não precisaríamos ver, ouvir ou falar... Acredito, sim, que deveríamos ser mais seletivos e sabermos valorizar apenas o que nos agrega de verdade. Perdemos tanto tempo com as coisas fúteis e inúteis que esquecemos dos simples prazeres da vida. Gosto muito do silêncio! Aprendo com ele. Me ouço nele! É quando acalmo o meu coração e consigo perceber as sutis diferenças entre o que vale ou não a pena!
Grande beijo, minha linda! Delícia de texto!!
Jackie

Malu disse...

Uma postagem bem ideal diante de uma sociedade que tudo quer condenar, explicar, descobrir...
Realmente, para se bem viver há que ser um pouquinho Cego, Surdo e Mudo.
Um beijinho,menina

Valéria Braz disse...

Josy, minha querida... se praticassémos mais a filosofia dos 3 macaquinhos olharíamos mais pra nós mesmos, ouviríamos mais a voz do coração e falaríamos mais das coisas boas do que das ruins....mas.... ainda estamos aprendendo!
Beijo no coração

Malu Muniz disse...

Muito interessante essa postagem Josy! A Filosofia do; miru=olhar, kiku=ouvir, iu=falar, nos ensinam que não devemos olhar mal, ouvir mal, e falar o mal alheio, e assim teríamos chances de tornar a vida em sociedade, PACÍFICA E HARMÔNICA, Mas infelizmente, ainda estamos muito carente perfil. O importante é perceber que essa atitude tem que partir de cada um de nós, para com o nosso semelhante.
Parabéns! mais uma vez, voce foi muito feliz na escolha.
Fica com um beijo no seu coração, Minha Querida!

Beth Muniz disse...

Oi querida,
Muito bom!
E é assim...
As palavras quando mal verbalizadas teem a força de um vulcão: Devastadora!
Ouvir e observar mais é a chave da sapiência.
Bom dia para você e um grande beijo.

Fernandez disse...

Olá Jô querida!
Saber dosar o que se ouve, o que se vê e o que se fala é uma arte. Bom para quem consegue fazê-lo de maneira harmoniosa. ;-)
Beijo no coração, Fê.

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